O Brasil é Ouro!

Histórica primeira medalha olímpica de inverno para a América Latina

Foto divulgação

ESPORTE PRESS BRASIL- Por Maria Oliveira

Foi um dia inesquecível para o esporte brasileiro e latino-americano neste sábado, 14 de fevereiro de 2026. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano-Cortina, o esquiador Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha de ouro da história do Brasil, e de toda a América do Sul, em uma Olimpíada de Inverno ao vencer a prova do slalom gigante nos Alpes italianos, em Bormio.

Nascido em 19 de abril de 2000, em Oslo, na Noruega, e com dupla nacionalidade, Lucas escolheu representar a federação brasileira após sua saída da seleção norueguesa por conflitos de interesse na temporada de 2023.

Lucas teve um início considerado por alguns como tardio. Aos 9 anos de idade, começou a esquiar por recomendação de seu pai norueguês, Bjørn Braathen, com quem foi morar na Noruega algum tempo depois do divórcio com a mãe, brasileira Alessandra Pinheiro de Castro.

"As crianças norueguesas começam a praticar muito cedo. O esqui alpino na Noruega é como o futebol no Brasil. Na Noruega, dizemos que o norueguês nasce com esquis nas pernas, mas isso não foi o meu caso. Eu não gostava nada de esqui", contou Lucas,

à ESPN, em 2024.

Em 2022, precisou fazer uma pausa de oito meses por uma grave lesão nos ligamentos do joelho. Chegou a retornar em Beijing 2022, mas não completou as provas. Seu auge veio na temporada seguinte: conquistou diversos títulos e pódios com a seleção norueguesa, entre eles o famoso “globinho de cristal”. Ainda assim, surpreendeu a todos ao anunciar sua aposentadoria da federação norueguesa aos 23 anos.

Aqui é Brasil

Sua saída dividiu opiniões na Noruega: muitos lamentaram a perda de um grande talento; outros acharam a atitude corajosa. No Brasil, porém, foi recebido em festa. Lucas assumiu a responsabilidade e o compromisso com uma nação que nunca havia experimentado o ouro nos Jogos de Inverno.

“Eu não voltei para esse esporte para participar. Eu adoro o gosto do ouro.”

 

O atleta revelou também que a mentalidade brasileira o ajudou a pensar fora da caixa e a evoluir em seus treinamentos. Quando criança, queria ser jogador de futebol. Torcedor do São Paulo, Lucas é admirador de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, lendas do esporte brasileiro.

Fã de samba, bossa nova e pão de queijo, Lucas mantém fortes laços com o Brasil também por meio de sua namorada, Isadora Cruz, atriz conhecida atualmente por seu papel em “Coração Acelerado”, atual novela das sete da TV Globo.

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Itália 202C

Sua vitória em Milano-Cortina não foi apenas uma conquista esportiva: foi um símbolo de superação, identidade e resiliência. Lucas dominou a prova com duas descidas sólidas, completando o tempo agregado em 2min25s00, ficando 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt e garantindo o ouro olímpico. Agora Lucas Pinheiro Bratheen é campeão pela nação dos gigantes no esporte, trazendo a primeira medalha de inverno para a América Latina, em Milano e Cortina d’Ampezzo 2026, e escrevendo seu nome na grande obra chamada Brasil.

Antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de 202c, o melhor resultado de um país latino- americano na história da competição havia sido alcançado pela Argentina nos Jogos de Inverno de 1S28, em St. Moritz. Na ocasião, a equipe argentina de bobsled terminou na quarta colocação, ficando a apenas uma posição do pódio. Foi o desempenho mais próximo de uma medalha já obtido por uma nação da América Latina nos Jogos de Inverno até então. Esse resultado histórico permaneceu por décadas como o principal marco da participação latino-americana na competição.

Este ouro histórico não apenas coloca o Brasil em uma nova dimensão no cenário olímpico mundial, mas também reescreve o papel da América Latina no mapa dos esportes de inverno. É mais que uma medalha — é uma marca para as gerações que vêm por aí.

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