Dia Mundial de Conscientização do Autismo: clubes brasileiros realizam ações em prol da comunidade
Estádios oferecem espaços adaptados, protetores auriculares e equipes especializadas para acolher pessoas com TEA
Crédito: Divulgação/Santos FC
Por: Breno Moraes
Nesta quinta-feira (2), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A inclusão dessa comunidade tem se tornado cada vez mais presente nos estádios brasileiros. Devido ao alto nível de ruído das torcidas, pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem enfrentar desconforto nos ambientes do principal esporte do país. Diante disso, diversos clubes têm investido em salas sensoriais e iniciativas específicas para que esse público consiga acompanhar as partidas com mais bem-estar.
O Allianz Parque, casa do Palmeiras, conta com uma sala sensorial para atender pessoas neurodivergentes em momentos de desregulação. O local apresenta isolamento acústico, kit sensorial com abafador de ruído e óculos escuros. O atendimento é realizado no setor 117 da arena, no andar térreo, lugar estratégico com fácil acesso para todos os visitantes do lugar.
A sala sensorial oferece controle de estímulos, com luz, som e tato adequados para a comunidade autista. Equipamentos adaptados para as pessoas neurodivergentes, como parede de escalar, balanços, piscina de bolinhas, puffs, coletes e almofadas, também estão presentes no local. O principal objetivo do espaço é dar o conforto necessário para atender os visitantes e fazer com que os fãs retornem para acompanhar o espetáculo o quanto antes.
O novo espaço oferece proximidade aos ambulatórios do andar térreo, além de acesso rápido, sem necessidade de uso do elevador. Com, no mínimo, três terapeutas especializados em dias de jogos e shows, a sala sensorial tem o objetivo de acolher as pessoas neurodivergentes em momentos de crise. Após o atendimento, os fãs são direcionados a voltar aos seus respectivos setores da arena para acompanhar o evento de maneira integral.
O Cuiabá, em parceria com o governo mato-grossense, realiza constantemente ações na Arena Pantanal voltadas à comunidade. Na estreia do clube na Série B contra o Sport, pessoas com TEA puderam se inscrever para o sorteio de vagas do chamado “Camarote dos Autistas", um espaço com estrutura voltada à redução de estímulos sensoriais e maior conforto durante a partida.
No interior de Minas Gerais, o Inter de Minas fundou um projeto social que atende atualmente cerca de 500 crianças e adolescentes e também conta com atletas autistas integrados às suas atividades, reforçando o compromisso com a diversidade. O clube dispõe aulas de futebol para os jovens. Em parceria com o Flamengo, o Inter de Minas amplia suas oportunidades de formação e desenvolvimento, mantendo um modelo que prioriza não apenas o rendimento esportivo, mas também o crescimento humano e social dos jovens, em um ambiente que valoriza o respeito às diferenças e o acolhimento.
Já o Fortaleza disponibiliza protetores auriculares para torcedores com diagnóstico de autismo, como forma de tornar a experiência nos jogos mais confortável. Para utilizar o item, é necessário fazer a solicitação com antecedência de até um dia antes das partidas. Thiago Fujita, diretor do Departamento de Responsabilidade Social do clube, comenta a relevância do esporte como ferramenta de inclusão.
“O acesso ao estádio precisa ser pensado para todos, respeitando as particularidades de cada torcedor. Quando adotamos medidas como essa, estamos ampliando as possibilidades de participação e garantindo que mais pessoas consigam aproveitar o ambiente do futebol com tranquilidade. A inclusão passa por entender essas necessidades e agir de forma prática”, afirma Thiago Fujita.
No sul do país, dois clubes tradicionais e campeões nacionais, Internacional e Juventude, também desenvolvem iniciativas consistentes voltadas à inclusão de pessoas autistas no futebol.
O Juventude tem investido em iniciativas voltadas à inclusão, oferecendo um camarote exclusivo para famílias com integrantes no espectro autista. O clube também disponibiliza fones redutores de ruído durante as partidas e desenvolve ações voltadas à comunidade, como a criação de uma torcida organizada formada por pessoas com autismo, buscando proporcionar um ambiente mais acolhedor e acessível no estádio.
Segundo o diretor social do clube, Fabiano Pizetta, o projeto é fruto de um trabalho contínuo de escuta e adaptação. “Entendemos que inclusão não é só abrir espaço, mas garantir que essas pessoas se sintam confortáveis e pertencentes. Nosso camarote adaptado já existe há pelo menos dois anos e está em constante reforma para melhor acolher os autistas. Pensamos em cada detalhe, desde o ambiente até o suporte oferecido às famílias, para que a experiência no estádio seja positiva e segura para todos”, destacou.
E o Internacional formalizou o projeto Autistas Colorados, responsável pela criação de uma sala inclusiva no estádio Beira-Rio, pensada para oferecer um ambiente adaptado e mais confortável em dias de jogo, além da realização de encontros com famílias e especialistas, bem como da capacitação de colaboradores para um atendimento mais acessível. O clube também promove ativações de conscientização com atletas e desenvolve experiências específicas para esse público, como visitas guiadas e ações educativas, reforçando o compromisso com uma cultura mais inclusiva dentro e fora do futebol.
“Buscando excelência na acessibilidade, nosso objetivo é garantir que pessoas com TEA e suas famílias se sintam acolhidas em todos os espaços do clube. A inclusão não pode ser tratada como algo pontual, ela precisa fazer parte da rotina, com escuta, adaptação e iniciativas que realmente façam diferença na experiência dessas pessoas”, afirma Tamarisa Lopes, Diretoria Feminina e de Inclusão do clube.
*Com informaçôes Press FC