Off-road sem mitos: o que é verdade sobre a prática que cresce no Brasil
De atividade "radical" a aliada do trabalho no campo, modalidade ganha novos adeptos e muda de perfil
Foto divulgação
Por Christiane Rodrigues
Por muito tempo, o off-road foi associado a risco, impacto ambiental e a um universo restrito a pilotos experientes. Mas esse cenário vem mudando. Impulsionada pela evolução tecnológica dos veículos e pela diversificação de usos, do lazer ao agronegócio, a prática cresce no Brasil e começa a se distanciar dos estereótipos que foram criados no passado.
Globalmente, o mercado de veículos off-road segue em expansão e deve ultrapassar os US$ 20 bilhões até o fim da década, segundo a Mordor Intelligence. No país, o avanço acompanha uma tendência clara: a busca por experiências ao ar livre com amigos e familiares e soluções eficientes para mobilidade em terrenos desafiadores.
Para quem está dentro desse universo, o maior desafio hoje não é o terreno, mas sim a percepção. “Existe uma ideia muito distante da realidade. Muita gente ainda acha que off-road é algo extremamente perigoso ou exclusivo para profissionais, mas isso mudou muito com a evolução dos veículos”, afirma Fernado Alves, Country Manager da operação BRP no Brasil.
Mito ou verdade? O que ainda se entende errado sobre o off-road
“Off-road é perigoso” — MITO
A associação imediata entre off-road e risco ainda é comum, mas não reflete o estágio atual do segmento. Sistemas de tração inteligente, suspensão de alta performance e melhor distribuição de peso tornaram os veículos mais estáveis e previsíveis, mesmo em terrenos desafiadores. “Hoje, o equipamento ajuda muito o piloto. Claro que exige responsabilidade, mas a tecnologia trouxe muito mais controle, inclusive para quem está começando”, explica Fernando. Além disso, a popularização de trilhas guiadas e experiências monitoradas tem ampliado o acesso de iniciantes com mais segurança, além de contribuir na formação de condução.
“Off-road prejudica o meio ambiente” — MITO (quando praticado de forma responsável)
Outro ponto frequentemente questionado é o impacto ambiental. Na prática, o off-road organizado segue regras claras e utiliza trilhas autorizadas e já consolidadas, evitando a abertura de novos caminhos e reduzindo danos ao ambiente. Eventos e comunidades do setor também vêm investindo em ações educativas e práticas sustentáveis. “Quem vive o off-road entende que preservar o ambiente é essencial. A experiência depende diretamente disso”, afirma Fernando.
“Off-road é só para profissionais” — MITO
A evolução dos veículos ampliou significativamente o acesso à prática. Hoje, existem modelos pensados para diferentes níveis de experiência, desde iniciantes até pilotos mais avançados. Essa diversidade permite que novos públicos experimentem o off-road de forma gradual, muitas vezes com suporte de grupos ou experiências guiadas.
“Off-road é só lazer” — MITO
Talvez a maior mudança esteja justamente aqui. O off-road deixou de ser exclusivamente uma atividade de aventura e passou a ter também um papel funcional, especialmente no campo. Quadriciclos (ATVs) e UTVs são hoje ferramentas importantes em propriedades rurais, auxiliando no transporte, na logística e no deslocamento em áreas de difícil acesso. Modelos utilitários recreativos, como a linha Outlander, da Can-Am, são projetados para enfrentar rotinas intensas, com capacidade de transportar cargas, rebocar equipamentos e manter desempenho em terrenos irregulares, como lama, areia ou trilhas fechadas.
“Os veículos são feitos para usos diferentes” — VERDADE
Um dos principais fatores por trás da transformação do setor é a especialização dos veículos. De um lado, estão os modelos utilitários recreativos, voltados para trabalho pesado e uso em ambientes exigentes, como fazendas e áreas remotas. De outro, os modelos esportivos, da Can-Am, desenvolvidos para trilhas técnicas e terrenos extremos, com foco em potência, agilidade e controle. “São propostas diferentes. Tem o veículo que resolve o dia a dia no campo e o que entrega performance na trilha. O off-road hoje atende perfis muito variados”, resume o executivo. Além disso, essas comunidades mais distantes acabam sendo beneficiadas pelos novos acessos, presença e investimentos de turistas além de oferecer uma nova oportunidade profissional pra essa comunidade.
Uma prática mais próxima do que parece
Com a combinação de tecnologia, acessibilidade e novas aplicações, o off-road se reposiciona. Deixa de ser uma atividade de nicho e passa a dialogar com públicos diversos, de produtores rurais a iniciantes em busca de novas experiências. Seria legal dar uma dica sobre as operadoras que já oferecem isso pro iniciante em lugares diversos no Brasil, como a Sertões Experience (CE), Somos Adventure (RS), Leão da Montanha (SC) e Rox Motors (SP). “Quando a pessoa conhece de perto, e de forma responsável, percebe que muitos desses mitos não fazem sentido. O off-road hoje é muito mais democrático do que parece”, conclui Alves.

Foto divulgação
*Com informações AMB Com















































